Sobre o projecto
O Mazzaroth é um simulador de mapas do céu baseado em dados astronómicos reais e verificáveis, procurando restabelecer uma ligação directa entre a observação dos astros e a leitura simbólica das constelações.
O que é
Este projecto representa o céu a partir de posições astronómicas observacionais, longitudes eclípticas aparentes calculadas para um instante específico no tempo e, quando disponível, para uma localização geográfica concreta.
As constelações seguem exclusivamente os limites oficiais definidos pela União Astronómica Internacional (IAU), incluindo Ophiuchus, frequentemente omitida em sistemas astrológicos modernos.
Enquadramento cultural
Historicamente, a leitura do céu esteve profundamente ligada à observação directa dos astros. As civilizações antigas viram no céu uma tela viva, onde projectaram, e retiraram, narrativas, mitos e sentidos.
Os caldeus desenvolveram tradições sistemáticas de observação planetária; os egípcios integraram o movimento das estrelas nos seus calendários, mitos e práticas rituais; e os gregos herdaram, reinterpretaram e formalizaram grande parte desse conhecimento.
O Mazzaroth procura recuperar essa abordagem pré-moderna: uma leitura simbólica enraizada na observação real do céu, informada pela astronomia, pela mitologia e pela antropologia, e nunca por esquemas abstractos desligados do firmamento.
Uma crítica necessária
Grande parte da astrologia contemporânea deixou de olhar para o céu. Os signos tropicais permanecem fixos, independentes da precessão dos equinócios e das dimensões reais das constelações.
Neste projecto, rejeita-se a ideia de que o céu deva ser adaptado a um esquema simbólico pré-definido. Pelo contrário, é o sistema simbólico que deve responder ao céu tal como ele é observado.
Sistema actualmente utilizado
Em termos estruturais, o Mazzaroth utiliza actualmente elementos da astrologia tradicional helenística, nomeadamente:
- Sistema de doze casas (Whole Sign Houses)
- Sectos
- Júbilos planetários
Estes conceitos surgem em fontes clássicas como Ptolomeu e outros autores helenísticos, com raízes mais antigas nas tradições caldeias e egípcias. A sua inclusão serve como base histórica e comparativa — nunca como dogma final.
Para além dos 12 signos
A divisão do círculo em 360 graus e a sua partição em doze segmentos iguais teve utilidade matemática e simbólica em determinados contextos históricos.
Contudo, com dados astronómicos precisos e acesso directo ao céu, essa divisão deixa de ser uma necessidade técnica. O Mazzaroth explora activamente formas de integrar constelações de dimensões irregulares, em particular Ophiuchus.
Sobre interpretação
Qualquer camada interpretativa presente ou futura neste projecto não será preditiva nem determinista. A interpretação é entendida como leitura simbólica e cultural.
O objectivo não é dizer o que vai acontecer, mas oferecer um quadro coerente para pensar a relação entre o ser humano e o cosmos.
Motivação
O Mazzaroth nasce da convicção de que voltar a olhar para o céu, é, literalmente, um acto cultural relevante.
Antes dos signos, há o céu.